Acreditar em Deus

Acreditar em um “Deus impessoal” – tudo bem. Em um Deus subjetivo, fonte de toda a beleza, verdade e bondade, que vive na mente das pessoas – melhor ainda. Em alguma energia gerada pela interação entre as pessoas, em algum poder avassalador que podemos deixar fluir – o ideal. Mas sentir o próprio Deus, vivo, puxando do outro lado da corda, aproximando-se em uma velocidade infinita, o caçador, rei, marido – é outra coisa.

C. S. Lewis. Um ano com C. S. Lewis: leituras diárias de suas obras clássicas. 2ª Ed. Viçosa: Editora Ultimato, 2009.

Adicção



Essa é uma palavra que poucos já ouviram falar, mas seu significado está relacionado com um problema social sério e que está se tornando uma epidemia. Adicção, segundo o site Que Droga!?, “é o vício, e geralmente está relacionado com drogas ilícitas. Mas a adicção pode também significar qualquer dependência psicológica ou compulsão, tipo por jogo (bingo, pôquer), comida, sexo, pornografia, computadores, internet, vídeo games, notícias, exercício, trabalho, TV, compras e etc.”.

O problema da adicção, principalmente quando relacionado com drogas ilícitas ou até mesmo o álcool e cigarro, é causa de desestabilização e desestruturação de famílias no Brasil e no Mundo, causando sofrimento tanto para o adicto quanto aos seus familiares.

Segundo o Moderno Dicionário de Língua Portuguesa Michaelis, adicto é aquele que usa uma droga habitualmente e tem por ela uma ânsia incontrolável que se torna um hábito mórbido.

Para a maioria das pessoas que não padecem desse problema, torna-se quase impossível entender o porquê de alguém optar pelo uso de algo que é tão prejudicial. Ainda, segundo o site Que Droga!?, “as pessoas geralmente experimentam drogas ou outros comportamentos potencialmente viciantes porque eles estão buscando algum tipo de benefício ou recompensa”. Às vezes, a pessoa usa a droga para escapar de problemas reais ou para que a pessoa seja aceita em determinado grupo social. Muitas vezes o desejo surge a partir de eventos traumáticos relacionados com a infância ou por questões genéticas.

O site Drogas e Álcool sem Distorções do Albert Einstein, diz que: “aqueles que decidem consumir uma droga estão fazendo uma opção, uma escolha. É claro que muitos fatores contribuíram para que tal escolha se desse (as angústias da vida, a simples curiosidade, a influência de amigos, a vontade de buscar um jeito novo de se divertir...). Mas, a escolha, no final, foi da pessoa”. No entanto, o site alerta que, se a pessoa continuar a usar drogas, cada vez menos isso será uma escolha, “isso porque o organismo vai se adaptando à presença da droga. Vai havendo modificações no cérebro. Quando o indivíduo fica sem a droga, passa a se sentir muito mal, desconfortável, irritado, deprimido, ansioso. O dependente acha que o único alívio possível é a continuidade do consumo”.

“A partir desse ponto, o indivíduo não consegue mais ficar sem usar drogas. Não há mais opção: o indivíduo não escolhe se vai usar drogas ou não. A doença lhe tirou essa liberdade. Qualquer doença psíquica consiste acima de tudo na perda da liberdade de escolha. Portanto, a dependência não é uma opção. É uma condição patológica (uma doença) que tira a liberdade do indivíduo de optar!” [site Drogas e Álcool sem Distorções].

Diante dessas definições e, com alguém tão próximo a mim com esse problema, fico pensando na falta de assistência social por parte dos nossos governantes. Caso você tenha alguém próximo a você com esse problema, saiba que não existe nenhuma ação pública no Brasil tentando sanar essa epidemia.

Podemos contar apenas com o esforço e boa vontade de algumas comunidades religiosas, que apesar de sua limitação de ordem técnica e efetividade no tratamento, fazem alguma coisa pelos adictos. Ou então, ter que gastar pequenas fortunas em clínicas “especializadas”.

Importante saber, também, que existem milhares de picaretas tentando ganhar dinheiro em cima do seu sofrimento, se não bastasse toda a devastação gerada pela adicção.

Fico pasmo com as cracolândias, todas conhecidas e toleradas pelas autoridades públicas. Quando é feita alguma ação, não passa de mudar os viciados de lugar. Parece que ninguém está interessado em resgatar aquelas vidas moídas e dilaceradas. Milhões são gastos em campanhas publicitárias nas eleições e pouco em valorização da vida.

(In)felizmente, como diria Jean-Paul Sartre: "O homem está condenado a ser livre". E nossas escolhas podem nos levar a um abismo. Antes de julgar um adicto, tente entender seus motivos e, mais que isso, tente auxiliá-lo a se libertar dessa escolha maldita.

Livres do legalismo

Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras:

"Não manuseie! " "Não prove! " "Não toque! "?

Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos.

Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne.

Colossenses 2.20-23

Dê o seu mínimo


Durante toda minha peregrinação cristã, sempre ouvi que deveríamos dar o melhor para Deus. No entanto, eu discordo desse jargão. Ele nos incita ao erro, pois começamos a imaginar que temos coisas boas a oferecer a Deus e, em seguida, estamos envoltos em uma disputa de ego com os irmãos. É triste, mas é a pura verdade.

Hoje tive a oportunidade de ver uma cena inusitada. Após o almoço decidi dar uma volta em uma praça próxima ao meu local de trabalho, qual não foi minha surpresa, vi um homem de joelhos amparando a cabeça de uma moça que vive literalmente naquela praça. Ao me aproximar, percebi, espantado, que o homem estava fazendo um exorcismo! Não pude acompanhar toda sessão, mas pude ouvir um "saia em nome de Jesus!" e, em seguida, um belo de um "assoprão na zoreba" da mulher! Isso mesmo o que você leu, o cara, deu um assopro como se fosse um "amém". 

Pouco tempo depois, encontrei a jovem do mesmo jeito que antes: gritando, xingando e tropeçando. Voltei para minha sala pensando que a intenção daquele homem não foi errada, talvez ele tenha ido embora acreditando que ele deu o melhor de si naquela situação. E a pergunta que ficou me martelando foi: "será que nesse momento era mais válido dar o melhor ou o mínimo?"

Quando queremos dar o melhor de nós, acabando nos tornando grandeloquentes. Criamos em nossas mentes as maiores maluquices com o pretexto de que estamos dando o melhor. E pior, muitas vezes, por medo de não dar o melhor, acabamos não fazendo nada, assim como fiz ao contemplar a cena.

Penso que devemos dar o nosso mínimo, quer seja para Deus, quer seja para as pessoas. Devemos dar um mínimo de nosso tempo à Deus, passar algum tempo diante Dele em oração ou meditando em sua Palavra. Devemos dar, diariamente, um mínimo de brados de glória ao Pai por tudo o que temos e somos.

Devemos dar às pessoas que nos cercam o mínimo de nossos bens, de nossa atenção, de nosso cuidado, de nosso amor. Se conseguíssemos dar o mínimo daquilo que sobra em nós, com certeza a vida daqueles que estão à margem, seria melhor. Provavelmente veriam mais relevância nesse mínimo do que em qualquer máximo contaminado pelo erro.

Daqui para frente, vou me esforçar para esquecer essa história de dar o melhor. Quero viver dando o mínimo de tudo o que tenho, pois aquilo que estiver fora do meu alcance, o Senhor providenciará!

Hipermodernidade

Hipermodernidade é o termo usado para denominar a realidade contemporânea, caracterizada pela cultura do excesso, do acréscimo sempre quantitativo de bens materiais, de coisas consumíveis e descartáveis. Dentro desse contexto, todas as interações humanas, marcadas pela doença crônica da falta de tempo disponível e da ausência de autêntica integração existencial, se tornam intensas e urgentes. O movimento da vida passa a ser uma efervescência constante e as mudanças a ocorrer em ritmo quase esquizofrênico, determinando os valores fugidios de uma ordem temporal marcada pela efemeridade. Como tentativas de acompanhar essa velocidade vertiginosa que marca o processo de constituição da sociedade hipermoderna, surge a flexibilidade do mundo do trabalho e a fluidez das relações interpessoais. O indivíduo da “cultura” tecnicista vivencia uma situação paradoxal: ao mesmo tempo em que lhe são ofertados continuamente os recursos para que possa gozar efetivamente as dádivas materiais da vida, ocorre, no entanto, a impossibilidade de se desfrutar plenamente desses recursos.

Renato Nunes Bittencourt. Consumo para o vazio existencial.
In: Filosofia, ano V, n. 48, p. 46-8 (com adaptações).

Sal, luz e cruz


Acho curioso como nosso Deus faz questão de nos envolver em seus desígnios aqui na terra, mesmo sabendo de nossa incapacidade. Penso que Deus quer mesmo é se utilizar de nossas fraquezas para realizar o bem nesse mundo, pois somente nesses momentos é que deixamos Ele agir. Deus faz questão de trabalhar com os fracos, os falidos e os menos importantes justamente para confundir os fortes.

Jesus diz, nos versos 13 e 14 do capítulo 5 de Mateus, que somos o sal da terra e a luz do mundo. Perceba que, atualmente, esses dois elementos (sal e luz) são tão comuns em nosso dia-a-dia que nem os notamos. Sentimos suas faltas, por exemplo, quando por descuido de alguém, o arroz fica sem sal ou quando a companhia de energia não evita um blecaute.

Para quem vive nas grandes metrópoles, a luz e o sal, deixaram de ser algo de destaque. Penso que o mesmo ocorreu com o sabor que deveríamos dar para toda a terra e com as nossas obras que deveriam iluminar o mundo.

As instituições cristãs passaram a ser lugar de irrelevância, de superficialidades e se tornaram, na melhor das hipóteses, casas de show. A emoção dita a unção. As curas teatrais, as vitórias financeiras e as chuvas de bênçãos são as coisas que importam.

O sal foi jogado fora, perdeu o sabor e agora está sendo pisado por homens de terno ou batina, interessados tão-somente no lucro. A luz está debaixo da vasilha e as pessoas sendo guiadas por caminhos escuros e mal-iluminados.

Felizmente, o que Jesus disse não perdeu o seu valor. Apesar das dificuldades, podemos ver os verdadeiros servos sendo sal e luz. Mas como tudo parece ser sal e tudo parece ser luz nem notamos a diferença. No entanto, eles estão por aí.

Na maioria do tempo sou sem sabor e sem obras. Parte disso se deve a minha resistência em confiar que Deus está no controle. Tenho medo de sofrer, de ter que carregar a minha cruz.

O cristianismo que percebo nos evangelhos não tem nada do triunfalismo pregado pelos evangélicos, muito menos está relacionado com o “pseudo-pietismo” do catolicismo. Vejo que, aquele que serve a Cristo inevitavelmente sofrerá, pois Jesus disse que teríamos muitas aflições. A proposta de Jesus é que não seríamos poupados das intempéries da vida, das desilusões, das angustias, da morte e da dor. Entretanto, ele também disse que, mesmo em meio a tudo isso, seríamos felizes, teríamos sabor, iluminaríamos vidas.

Creio que só podemos ser fonte de sabor para vidas desgostosas e tristes, se de algum modo passarmos pelos mesmos dissabores, pelas mesmas tristezas. Quem conhece alguém que tenha problemas com drogas, sabe que é quase impossível uma pessoa que nunca tenha vencido esse problema, ou seja, que também tenha sido um viciado e depois se recuperado, possa aconselhar alguém e obter bons resultados, por exemplo.

Da mesma forma com relação às obras. Uma obra só é realizada se houver uma necessidade ou um problema. Como então, poderemos realizar boas obras se não nos envolvemos nem nos nossos próprios problemas. Na maioria das vezes, fugimos de nossos problemas. Queremos que Jesus os tire de nossa frente o quanto antes, nem estamos dispostos a participar da solução, queremos que o problema suma magicamente.

Talvez seja por isso que Deus faça tanta questão de participarmos de sua obra. Ele quer se utilizar de nossa experiência de vida para influenciar a outros. Penso que, para sermos tudo o que Jesus disse que seríamos, temos que carregar a nossa cruz. Sem a cruz não somos de Cristo, somos qualquer outra coisa, menos verdadeiros seguidores de Jesus.

Precisamos encarar nossas dificuldades de forma mais corajosa, crendo que Jesus estará ao nosso lado, nos ajudando a resolver. Fingir que a depressão, o vício de um familiar, o consumismo, o mendigo, a doença não existem, não resolve o problema, muito menos achar que Jesus vai solucionar magicamente todos eles. Deus quer que nos aperfeiçoemos na dor, no cadinho da humilhação, pois Ele não quer bebês-chorões convivendo para sempre ao seu lado. Sofrer é inerente ao ser humano, sofrer é inerente ao cristão. Perceba que não estou fazendo apologia ao sofrimento, ou seja, que você deva buscar o sofrimento, não é isso. Estou dizendo que devemos aceitar o sofrimento de forma madura e adulta e não como crianças melindradas.

Nossa peregrinação nesse mundo tem, como uma de suas principais funções, a nossa lapidação enquanto seres humanos, por meio de caminhos e descaminhos, verões e invernos, alegrias e tristezas, vida e morte. Ser cristão é ser humano.

Enfim, seremos o sal da terra e a luz do mundo quando aceitarmos que temos que carregar nossas cruzes e aprendermos o significado do que é chorar com os que choram e rir com os que riem.