Jesus é um sinal de contradição


E Simeão os abençoou e disse a Maria, mãe de Jesus: “Este menino está destinado a causar a queda e o soerguimento de muitos em Israel, e a ser um sinal de contradição, de modo que o pensamento de muitos corações será revelado.” [Lc 2.34-35]

Diante de tal declaração a respeito de Jesus, feita por Simeão, é praticamente impossível não pensar nessa sentença: Jesus é um sinal de contradição! Assim como em seu contexto histórico, hoje também se pode aplicar essa passagem bíblica, pois Jesus não foi sinal de contradição somente para Israel, mas Ele ainda o é para todas as sociedades e de todos os tempos.

Sua mensagem continua sendo extremamente contraditória. Veja, por exemplo, em nosso país, apesar das pesquisas declararem que somos uma nação cristã (principalmente se somarmos o número de católicos [68%] e evangélicos [20,4%]), percebemos que os valores anunciados por Jesus ainda estão bem longe de ser uma realidade por aqui, e não só aqui, mas em todo mundo.

Observemos algumas delas: “quem quiser ser o primeiro (ou líder) que seja servo” [Mt 20.27], essa ordenança de Jesus não é praticada nem mesmo dentro das denominações cristãs; “ame ao próximo como a ti mesmo” [Mc 12.31], essa aí então, é um desastre total, pois atualmente o que importa é alimentarmos nosso ego;  “vocês não podem servir a dois senhores, não podem servir a Deus e ao Dinheiro” [Lc 16.13], nesse caso, conseguiram até criar um teologia (aquela da prosperidade) justificando que dá pra servir ao dois; “Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam” [Mt 5.44], bom, essa eu nem vou comentar.

Como diz o pregador Paul Washer: “o evangelho tem que ser um escândalo e motivo de vergonha para os que não creem”. Se o nosso evangelho continuar a se conformar com o mundo não é evangelho! É qualquer outra coisa menos evangelho. Como diz o apóstolo Paulo não podemos nos envergonhar do evangelho [Rm 1.16] do jeito que ele é.

As nossas denominações cristãs parecem mais preocupadas em manter um cristianismo que seja facilmente aceito pelas pessoas, mas o fato é que o evangelho é escandaloso e chocante. A maioria das denominações promete um monte de mentiras às pessoas em troca de seu dízimo. Dizem coisas do tipo: “se você se tornar cristão, sua vida financeira vai melhorar” ou “a sua saúde será restaurada”, mas ninguém pode dar essas certezas às pessoas que estão se convertendo, pois ao contrário disso, o Senhor Jesus disse que era para pegarmos a nossa cruz e segui-lo [Mc 8.34], ou ainda, que no mundo teríamos aflições, mas que Ele havia vencido o mundo [Jo 16.33].

Nós não temos o direito de tornar a mensagem do evangelho suave e agradável com o intuito de lucro [2Co 2.17], pois seremos julgados por isso, pois a quem muito foi dado muito será cobrado! [Lc 12.48] Seguir ao Senhor Jesus pode ser sintetizado pela seguinte declaração do próprio Mestre: “estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” [Mt 7.14]. Não podemos nos autoenganar e acreditar que o evangelho é para qualquer um. Poucos serão os escolhidos, mesmo quando chegar o dia em que todo o mundo conhecerá a mensagem do evangelho.

Jesus é um sinal de contradição. Nós, seus discípulos, precisamos ser sinal de contradição, mesmo que isso custe o nosso prestígio, as nossas amizades, o nosso emprego ou até mesmo a nossa vida! Não precisamos nos preocupar em ser relevantes nessa sociedade, precisamos viver o verdadeiro evangelho que choca os que não creem.

A questão final que nos resta responder é: será que, de fato, somos cristãos?!

Mestre, louco, demônio ou Deus?

Eu tento impedir o uso daquela frase tola que as pessoas costumam dizer a respeito dEle: "Estou pronto a aceitar Jesus como um grande e digno mestre, mas não aceito sua pretensão de ser Deus". Não devemos dizer isso. Alguém que fosse simplesmente um homem e dissesse o tipo de coisa que Jesus disse não seria um grande e digno mestre. Seria um lunático - igual ao homem louco que afirma ser "Napoleão" - ou o diabo. É preciso fazer uma escolha. Ou esse Homem era, e continua sendo, o Filho de Deus, ou era um louco ou algo pior. Você pode fazê-lo calar, supondo ser Ele um tolo; pode cuspir nEle e matá-Lo, porque O vê como um demônio; ou você pode cair aos pés dEle e chamá-lo de Senhor e Deus. Entretanto, não digamos tolices complacentes como, por exemplo, que Ele era somente humano e um grande mestre. Ele não nos deu liberdade para tal coisa. Ele não pretendia fazê-lo.
C. S. Lewis citado por John Piper em Para sua alegria - Ed. Fiel - 1ª Edição - 2008

Perseguição

De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. 
[2Tim 3:12]

Hipocrisite natalina



Todo ano, precisamente em dezembro, percebemos o surgimento de uma epidemia perigosa: a hipocrisite natalina. A hipocrisite natalina é uma doença que acomete uma grande proporção da nação brasileira e está relacionada aos festejos do nascimento de Jesus.

Antes de qualquer coisa, gostaria de ressaltar que não sou contra a comemoração do nascimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Não é esse o problema. O problema também não está relacionado aos elementos pagãos relacionados à festa natalina, como a árvore de natal, as luzes, as trocas de presentes ou mesmo a data totalmente incorreta de 25 de dezembro, não é nada disso!

O que mais me aborrece é como os cristãos, nessa época, se tornam benevolentes e preocupados com os pobres. Parece que, o ano todo, os pobres estão em ótima situação e quando chega o natal estão necessitados, somente então se torna necessário realizar campanha disso e campanha daquilo, cesta básica para cá e panetone para lá!

Para mim, esse é o pior contra testemunho que podemos dar aos não-cristãos. Tanto é verdade que, por exemplo, até budista e kardecista fazem as mesmas “boas” ações no natal que os cristãos, ou seja, cesta básica ou ceia de natal aos pobres.

Precisamos lutar para proporcionar aos menos favorecidos condições dignas o ano todo e não somente em datas especiais. É preciso favorecer, em primeiro lugar, as pobres famílias de nossas igrejas, após isso abençoar os nossos vizinhos e, assim, cair na simpatia do povo [At 2.46-47].

Em Atos lemos que entre os cristãos não havia necessitados [At 4.34] e, se formos corajosos o suficiente para analisar, nossas igrejas são um retrato fiel das desigualdades que maculam nossa sociedade.

Tenho aprendido com alguns irmãos (refiro-me ao pessoal do Gruponews) a orar a Deus pedindo para que eu saiba usar adequadamente meu dinheiro, de modo que, com ele eu possa testemunhar a maravilhosa graça de Deus. Tenho evitado gastar meu dinheiro com pesadas estruturas eclesiásticas ou com quinquilharias de consumo e tenho investido mais em pessoas. Mas como não quero ser hipócrita, digo logo, parece que é bem mais gostoso gastar nosso dinheiro com os nossos mimos, pois nosso ego agradece ou com a estrutura eclesiástica, pois se tem a falsa sensação que estamos fazendo a vontade de Deus...

Para nos livrarmos desse mal, só tem um caminho: deixar Deus conduzir nossas finanças e investir em pessoas. A cura será um processo lento, mas gratificante e, para minha felicidade, é um caminho sem volta, pois aprendemos a valorizar o que realmente importa e não o deus mamom [Mt 6.24].

Diante disso, te pergunto: você está sofrendo de hipocrisite natalina? Quer ser curado? A decisão é sua... boa escolha e feliz natal e um abençoado 2012!